20170120

Marilena Chauí sobre Utopia



Marilena Chauí
(SBPC)
Utopia

Se estabelece no século XVI com Thomas More, Utopia (1513). Cinquenta e cinco cidades com a letra A, ex.: Ademos, Anidra.
Anteriormente a ideia já pode ser encontrada em:
→ Cidades de Ouro (Virgílio, Ovídeo).
→ Harmonia cósmica (no sentido de utopia cósmica).
→ Lit-topos (não-luar/ ludar nenhum) sentido negativo como traço definidor.
→ Eu-topos (feliz/ verdadeiro) sentido perfeito.
→ Segue o duplo sentido da palavra.
Fim da utopia: Marx recusa o socialismo utópico. Perfeição que leva à criação de uma nova sociedade.

Utopia é normativa (mundo como deve ser)
     Totalizante (negação ponto por ponto de uma outra sociedade) contextação, criação de um mundo completo.
     Anxiety (revela carências do presente).
     Radical (reconciliação homem x natureza/ homem x sociadade).
     Imaginação social (descrição da sociedade total e minunciosa, realismo, detalhes) realismo (total) x irrealismo (pretendido).
     Transparência (não oculta as operações sociais) instituição equivale ao todo, instituição equivale ao todo.
     Fronteiras móveis (interdisciplinar: fala-se em arte-utópica, ciência-utópica, política-utópica) ideia fluída, em mutação (Gramsci)
* Utopia não é um programa de ação, é um plano potencial e hipotético, inspirador de ações.

Condições históricas: discurso utópicopertence à Renascença italiana, séculos XV e XVI.
A partir de More passam a se referir a textos do passado como utópicos:
+     Platão - República
+     Milenarismo - Joachim Fiori → temas de amor, amizade
+     Oroboscos - tempo circular, eterno retorno
+     Concepção hebraica - tempo linear, dramático
+     Teofania, epifania (redução da verdade
+     Semana cósmica → 3 eras (trindade) → Lei
                                                                         → Filho, graça, cristianismo
                                                                         → Espirito, sabedoria

* Essas são ideias trazidas pelo Jesuítas e Franciscanos para o Brasil (Maranhão) Utopias religiosas.
* Presentes em More: → Humanismo: conhecer e transformar a realidade
                                    → Igualitarismo/ equidade
                                    → Francis Bacon: o homem é o arquiteto da sua fortuna
                                    → Pico de Mirandolla: discuros sobre a divindade
                                    → Viagens marítmas: ilha/ naufrágio/ desconhecido.

* Aspectos presentes em More:
Republicano (liberdade das cidades/ igualdade = liberdade)
Monarquismo (paz/ ordem/ lei = liberdade)
Supressão da causa da desigualdade → proposta: trabalho, ciência e arte.
→ Propriedade privada
→ Democracia popular
→ Tolerância religiosa
                        CONJUNTO DE ASPECTOS QUE OPERAM NO DISCURSO UTÓPICO


Modelo Platão:
1.    Busca da cidade justa por lei/ pedagodia
2.    Estabilidade institucional/ política
3.    Identidade do indivíduo/ lei = bom senso
4.    Vigilância sobre o medo
5.    Comunitário (modelo: índio), felicidade coletiva
6.    Urbanismo que organiza a cidade segundo necessidades (pequenas casas populares (belo), grandes e portentosos prédio públicos (sublime)

* Península secreta e ilocalizável (ut-topos), geometria ESFERA e o TRIÂNGULO

Francis Bacon: outros aspectos da Utopia (A Nova Atlântida), (incomodar a natureza para que ela forneça respostas).
     Cidade injusta e passional: fundada por Posseidon.
            Cidade oriental, Persa. Ímpia e tirânica que Zeus afunda.
     A Nova Atlântida tem por centro a casa de Salomão (sapiência e tolerância). Utopia do progresso, da ciência todos os saberes são pesquisados (prudência e prosperidade). Ideal de criar naturezas: Sci Fi: Julio Verne

Século XIX: Utopia como projeto político, marcha da história, progresso, cientifização da utopia.
Pragmatismo utópico: crítica Marxista ao socialismo utópico (pouca historicidade, afetivo) o amadurecimento recional é o socialismo científico. A crítica de Marx difere da crítica conservadora, para Marx, Utopia não é sistema, nenhuma utopia influencia a história pelo realismo, mas por aquilo que é para ser atingido (Marcusi). Utopia: conjunto de práticas e movimentos sociais (Mauheim).

Recusas da Utopia (contemporâneas)
     1894 - Orwell
     Brave New World - Huxley (expressão retirada de Shakespeare - A Tempestade)
            Ilha, magia (Shakespeare) X Ciência (Bacon)
     Farenheit (distopia): divisão, dilaceramento, sociedades totalitárias. Controle pelo terror/sexualidade destruição das artes.
     Matrix: constuídos com elementos da cultura grega (Neo, papoula pill, Morpheus, “know thyself”)
Descrição da sociedade totalitária, nas obras acima a realidade é subjulgada, em Matrix a inovação é a realidade x virtualidade, não a vitória da máquina sobre o homem (secundário). O dilema é descobrir o real sentido. Zion apresenta as marcas do discurso utópico (More, Bacon, cientificismo, circularidade, cidade escondida). Utopia não é plano de ação, é projeto de vida.